As
peças de faiança, mais simples, mais modestas, de uso utilitário corrente
também são, por vezes, interessantes e contribuem para traçar a imagem
evolutiva e a história de uma fábrica e dos seus períodos de fabrico.
Tudo
isto a propósito de dois pratos, sopeiros, de uso doméstico correntes, com uma
singela decoração de cinco filetes na aba: um no limite da bordadura da aba, na
cor preta e outro semelhante na transição da aba para o covo; os restantes três
no meio da aba, equidistantes entre si, sendo o central de cor azul celeste e os outros dois que o ladeiam igualmente pretos.
Peças
em faiança leitosa, com várias imperfeições de fabrico, e com “os pontos” das
trempes da cozedura perfeitamente evidentes, quer na frente dos pratos, quer no
seu tardoz – aqui ainda mais notórios.
Mas
afinal o que torna interessante estes pratos? A sua marca, pois são pratos
marcados identificando o seu fabrico!
Possuem
marcas circulares gravadas na pasta, com a indicação, na coroa exterior “CORTICEIRA”
e “PORTO” e no círculo interior “1931”, sendo que uma das marcas, para além de
gravada na pasta também possui sobre a mesma um carimbo na cor verde, ou foi
efectuada uma pintura, sobre a marca para evidenciar a mesma.
Crê-se
que esta fábrica – Corticeira do Porto - laborou desde os finais do século XIX
até meados da década de sessenta do século XX, logo, os pratos que apresentamos
corresponde já ao último período de laboração da fábrica, quando a produção de
peças e a sua decoração eram mais simples, com menor beleza e algum descuido de
qualidade.
![]() |
Carimbo Inicial (Provável) |
![]() |
Carimbo 2ª fase de fabrico |
![]() |
Carimbo 2ª fase de fabrico (parte final) |
![]() |
Carimbo 3ª fase |
Carimbo fase final (na Calçada das Carquejeiras) |
Carimbo fase final (na Calçada das Carquejeiras) |
Marcação manual, peças pintadas à mão
Marcação manual, peças pintadas à mão (fase final). Provavelmente.
As
próprias marcas ou carimbos já não possuíam a exuberância de anteriores
períodos, em que no círculo central existia o monograma “CP” e exteriormente à
coroa, ladeando a mesma, dois ramos de louro – uma marca “laureada”; ou noutras
fases de fabrico em que o carimbo era muito mais simples, mas muito característico
da fábrica - só o monograma: um entrelaçado “C-P”, geralmente na cor verde.
Cremos
pois, que este carimbo corresponde ao último período de fabrico da Fábrica da
Corticeira do Porto.
É
talvez de todas as fábricas existentes, da que menos se sabe, e apesar de toda
a pesquisa já efectuada e de vários trabalhos publicados sobre as cerâmicas do
Porto, pouco se descobriu.
Dá-se
como certo que teria ficado a laborar em parte das instalações pela
fábrica do Carvalhinho, na Calçada e Rua da Corticeira, em 1923, sob a orientação
do industrial António Silva; e posteriormente por um funcionário daquele, António
Pereira da Silva.
Quando
começou a laborar desconhece-se. Presume-se que laborou até meados da década de
sessenta do século passado.
Fontes: