FÁBRICA ESTATUÁRIA
ARTÍSTICA DE COIMBRA
1.INTRODUÇÃO
Uma interessante peça de cerâmica da Estatuária de Coimbra, uma taça rasa com
duas asas, encontrada numa feira de velharias do centro do país, despertou-nos
o óbvio interesse e depois de muita negociação conseguimos, em conjunto com
outras peças de menor valor, adquirir a mesma.
2.
FUNDAÇÃO DA FÁBRICA. ANTECEDENTES:
A data da fundação da Fábrica Estatuária Artística de Coimbra (EAC) é
apontada (1) como tenha ocorrido em 1943, a qual se localizava na Rua do
Arnado, n.º 147 e possuía um armazém na Rua Dr. Rosa Falcão n.º 28, ambos em
Coimbra.
Segundo o que se encontra descrito (1), no
Diário do Governo, o capital social da mesma era de 80.000$00 escudos e os seus
sócios com respectiva quota eram:
1- José Augusto Frutuoso (Gaspar de Matos):
60.000$00;
2- Carlos Frutuoso (Gaspar de Matos):
12.000$00;
3- Artur dos Santos: 8.000$00.
Mas anterior à sua fundação, consta que
José Augusto Frutuoso já tinha fundado uma fábrica de faianças, em 1926 (?), pese
embora ainda não tive o nome de Estatuária Artística de Coimbra, e as peças aí
fabricadas fossem marcadas com o carimbo “COIMBRA”
- “FRUTUOSO”.
Cita-se algures que algum tempo após a
fundação da EAC, a fábrica foi para a localidade das Lajes (à entrada de
Coimbra) e mais tarde para a Pedrulha, quando passa a chamar-se ESTACO.
Por outro lado, refere-se (2) que em 1946 a
EAC alugou uma antiga olaria, inicialmente mandada construir pelo Marquês de
Pombal, onde inicia a produção de louça artística, na chamada “Fábrica das
Lajes”.
Sabe-se (1) que em 1947 a Estatuária
participou na constituição da Cesol, Cerâmica de Souselas, detendo 40% do seu
capital social, o qual foi distribuído da seguinte forma:
1- António Bernardo Gonçalves de Carvalho:
500.000$00;
2- Estatuária: 400.000$00;
3- Luís António Duarte Prazeres Pais:
35.000$00;
4- José de Campos: 35.000$00;
5- Francisco da Silva: 30.000$00;
No início o escritório e o estabelecimento
da Cesol ficavam contíguos às instalações da Estatuária, na Rua Dr. Rosa
Falcão, n.º 30, dado que a orientação técnica estava a cargo de José Augusto
Frutuoso e assim este está sempre presente nas duas.
Saliente-se, como surpresa, o facto do
capital investido na Cesol, pela Estatuária representar cinco vezes mais que o
seu capital social inicial. Tal situação poderá indiciar a prosperidade e o
volume de negócios da Estatuária no curto prazo de apenas quatro anos.
No ano seguinte, em 1948, a Estatuária
elevou o seu capital social para 400.000$00 escudos, tendo ficado distribuído
da seguinte forma:
1- José Augusto Frutuoso (Gaspar de Matos):
225.000$00;
2- António Bernardo Gonçalves de Carvalho:
100.000$00;
3 Carlos Frutuoso (Gaspar de Matos):
45.000$00;
4 Artur dos Santos: 30.000$00.
A Cerâmicas Estaco - Estatuária Artística
de Coimbra, S.A., em Pedrulha, à entrada de Coimbra, em 1980, tinha este aspecto
aéreo (3):
E ocupava a área identificada a vermelho
conforme documento de venda da sua falência (4):
Tendo um percurso de declínio semelhante a
tantas outras fábricas portuguesas, no último quartel do século XX, a então ESTACO veio a ser declarada falida em
Outubro de 2001, lançando para o desemprego, ainda, cerca de 200 trabalhadores.
A Estaco chegou a empregar cerca de mil
trabalhadores e a deter uma unidade de produção em Moçambique.
A fábrica produzia para exportação e para o
mercado nacional três produtos – azulejo, sanitário (louças sanitárias) e
pavimento (ladrilhos) – o que lhe conferia uma posição de destaque a nível
sectorial, nacional e, mesmo, internacional.
No final de um processo que durou cerca de seis anos, a 24 de outubro de 2001, o 2.º Juízo Cível da Comarca de Coimbra sentenciava pela falência das Cerâmicas Estaco (5).
Em 2010, o aspecto do que restava da fábrica
era desolador (4), tal como as imagens seguintes documentam:
Perspectiva lateral
das imponentes 3 chaminés da Estaco
Uma outra perspectiva
do Complexo, com a Triunfo Rações a espreitar ao fundo
Mais uma perspectiva
das Chaminés (pavilhão de acabamentos e refeitório ao fundo)
Tristemente
abandonado
Perspectiva do
Edifício mais alto da Estaco
3. FABRICO
DA ESTATUÁRIA ARTÍSTICA DE COIMBRA:
O fabrico da Estatuária Artística de
Coimbra desenvolvia-se essencialmente a dois níveis: peças escultóricas e
faianças.
3.1.
FAIANÇAS DA ESTATUÁRIA:
As faianças desta fábrica eram decoradas
com motivos florais, a azul, ou em policromia, pintados à mão sob o vidrado.
Algumas dessas peças apresentam a
designação ”FRUTUOSO” entre parêntesis, imediatamente após a designação de
“ESTATUÁRIA”, o que indicia que se trata de peças anteriores a 1943, ou seja
antes da fundação da fábrica da Estatuária.
Eis uma dessas peças, um prato para
aperitivos, policromo, anunciadas no OLX (2014), para comercialização:

Mas existe uma variante, de peças de 1945,
em que a marca é E.C. FRUTUOSO, como este soberbo prato a ser anunciado no OLX
(2014):
Prato
Marca do prato
E uma jarra:
Jarra Policromia n.º 21 A respectiva marca: Frutuoso
Após 1943, as marcas eram semelhantes a
esta:
Está marcada na
base de uma jarra exibida nas Memórias e Arquivos da Fábrica de Louça de
Sacavém e que aqui reproduzimos (2).
A nossa peça de faiança, também possui
marca semelhante, que a seguir reproduzimos:
Tal como a seguinte bomboneira:
Bomboneira policromia, com o n.º 498 Marca da Bomboneira
Crê-se que se tratam de peças fabricadas
entre 1943 e 1947.
Assim como esta:
Uma interessante peça, uma jarra, com a
descrição “Recordação de Vidago”, igualmente a ser comercializada no OLX
(2014):
Que se crê corresponder ao período de 1947-1960
De período mais recente, provavelmente de
1960-1980, tem-se este tipo de faiança

Chávena com pires, com o n. 934, Respectiva marca
Tal como este prato:
Prato, com o n. 2186, Respectiva marca
3.2. PEÇAS
ESCULTÓRICAS DA ESTATUÁRIA:
As peças escultóricas da Estatuária eram
efectuadas, entre outros materiais, em terracota pintada, como o que a seguir se
reproduz (2):
Peça escultória Respectiva marca
Outra peça escultória em terracota pintada
que reproduzimos (2), para identificar o tipo de peças que a Estatuária
efectuava:
Peça escultória exibida (2), sendo do antiquário Arca d’Arte (Mercado Sta Clara – Feira da Ladra) e que evidencia
mais uma marca diferente das habituais:
As peças escultórias são vastas, aqui se deixam algumas, identificadas em sites de comercialização (OLX), ditas da Estatuária de Coimbra (?):
Imagem da República,
dourada
Menina com duas cestas e sombrinha A marca na base desta peça escultória
Mais
peças escultórias:
Boneca da Estatuária com o n.º 432
A marca na base desta peça escultória
Esta peça, possui um carimbo ou marca que cremos
corresponder ao períodos de 1943 – 1947;
Caixa Peru da Estatuária, n.º 187 A marca na base desta peça escultória
Coelho, cartas, dados e cartola de mago, nº
163 (?) A marca na base desta peça
escultória
Peça escultória nº 2346 A marca na base desta peça escultória
3.3 OUTRAS
FAIANÇAS DA ESTATUÁRIA DE COIMBRA (?)
Outras peças que têm sido colocadas à venda
em sites, como o OLX, vêm igualmente referenciadas com sendo da Estatuária de
Coimbra, possuem identificações diferentes da sistematização que tentamos fazer.
Senão vejamos, esta por exemplo, um bule e
uma leiteira:
Bule e leiteira Marca não muito habitual
MARCAS:
Tentando fazer uma inventariação
cronológica das várias marcas das faianças e peças escultóricas da Estatuária
Artística de Coimbra, sugerimos a seguinte e provável organização:
1º Período (1926-1943):
2º Período (1943-1947):
Quanto a faianças:
Quanto
a peças escultórias:
3º Período (1948-1960 (?)):
4º Período (1960 (?)-1980):
5º Período (1980-2001):
???
NOTA FINAL:
NOTAS BIBLIOGRAFICAS:
(2)- http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2011/11/grupo-escultorico-da-hutschenreuther.html
(5)-http://www.asbeiras.pt/2013/03/estaco-apesar-de-tudo/
(6)-Vários sites de venda de peças de faiança: OLX, CUSTO JUSTO, COISAS,